A moda das demissões: quando AI vira desculpa
2026 virou o ano das demissões em massa na tech. Oracle cortou 21 mil funcionários (13% da força de trabalho) em 12 meses, citando explicitamente a adoção de tecnologias de IA. Mas a história se repete em gigantes como Meta (8 mil demissões), Intuit (3 mil), Cisco (4 mil) e Cloudflare (1.100 pessoas). O padrão é sempre o mesmo: receitas recordes, lucros em alta, e ainda assim cortes justificados por "preparar a empresa para IA". Maio foi o pior mês em anos para demissões no setor, com IA sendo o motivo mais citado pelas empresas. O cinismo dessa narrativa é transparente quando você olha os números. Google cresceu receita de Cloud 63% para mais de 20 bilhões de dólares e ainda assim cortou entre 1.500 e 3 mil engenheiros silenciosamente. Cloudflare bateu recorde de receita trimestral (639,8 milhões) e mesmo assim demitiu 20% do time. Meta deslocou 7 mil funcionários para "papéis focados em IA" que os próprios colaboradores odeiam. A verdade incômoda: muitas dessas empresas contrataram demais durante a pandemia, e agora usam IA como justificativa corporativa bonita para fazer ajuste de pessoal. O pior é que empresas como GitLab estão inventando problemas que não existem. Cortou 350 pessoas (14% do staff) para "reconstruir infraestrutura para workloads de agentes". Seu CEO fala de requisitos de crescimento de "100x", citando competidores sendo "empurrados ao limite". Tudo muito dramático. Enquanto isso, a empresa segue crescendo 23% ano a ano. A pergunta que ninguém quer fazer em voz alta: se a IA realmente vai automatizar tudo, por que essas empresas ainda precisam de qualquer funcionário?
